domingo, 2 de dezembro de 2012

ANITA MALFATTI POR STELLA MENDONÇA



A BELA VITÓRIA DE ANNITA MALFATTI,
A MÃE DO MODERNISMO BRASILEIRO.
Stella Mendonça (*)


Maravilhosa notícia a cotação de mercado internacional da nossa Annita Malfatti! Recebi um catálogo e um informativo do Hotel Drouot de Paris, leilão no último dia 11 de novembro passado, de obra sua leiloada.
O leiloeiro Daniel Henry esperava vender por bem menos a tela as “Bahianas” com lance inicial de quatro mil euros e com surpresa alcançando €380,490, mil euros. Lá se foi mais uma obra para Europa de Annita, enquanto isto nossos colecionadores perdem dos europeus bons investimentos!
A tela realizada nos fins de 1929, considerada por historiadores e críticos de arte, como também por Mário de Andrade e alguns modernistas na época, obra inexpressiva!
Observo a qualidade apurada de nossa modernista, depois de tanto observar sentiu a força dos grandes pintores e aprendeu a decompor a cor, suprimir linhas que limitam a forma, enchendo os volumes e seus elementos originais. Além disto, no artigo do catálogo, comentam sobre as influencias cubistas de Annita, foi exatamente o que realizou na sua pintura, utilizando o cubismo, abstracionismo e expressionismo sua forma natural de expressar a pintura, mas sem o tal excesso, sabendo desenvolver numa técnica nova, uma arte nova!
Enquanto os tupiniquins queriam coisas berrantes extravagantes! Segundo Picasso os de quintessência! Segundo ela mesma sem recursos abundantes! O mesmo aconteceu nos anos 60 com os hippies, Paz, Amor, droga e rokenrol, excederam tanto que recuaram! Isto é natural quando se transgride um paradigma vem os excessos!
Annita foi reconhecida desde os tempos em que viveu nos anos 20 em Paris, aonde expôs suas obras nos Salões Independentes recebendo criticas significativas e elogiosas. Segundo os críticos franceses: "Mle Annita Malfatti conhece todos os fundamentos da arte moderna"!
Agora 2012, parece que os franceses continuam reconhecer suas qualidades e a obra alcançando bom valor no mercado de arte internacional, no mesmo patamar dos grandes modernistas de sua época e neste leilão, superior a Chagall!
Bela vitória da nossa "Mãe do modernismo brasileiro”.
Na Gazette Drouot International, algumas páginas depois da obra de Annita vem a de Marc Chagall rematada por €215,747, também bela tela em tons azuis!

(*) Stella Mendonça: Tem vínculo familiar com a família de Anita Malfatti e é responsável pelo laboratório de restauração de bens culturais, São Paulo. Na foto abaixo: Stella Mendonça com o Poeta Paulo Bomfim.

domingo, 14 de outubro de 2012

GUILHERME DE ALMEIDA & HAIKAIS


GUILHERME DE ALMEIDA:
ENTREVISTA SOBRE HAIKAI


Guilherme de Almeida - Foto Reprodução
Entrevista com GUILHERME DE ALMEIDA, concedida a Genésio Pereira Filho, publicada na "Gazeta Magazine" de 29/09/1941(*). Aqui no Blog RETALHOS você poderá também acompanhar outro texto sobre Haikai de Guilherme de Almeida, clicando no link:
 HAIKAI, POESIA DE ESTAÇÃO

Genésio - Os haikai - usamos o plural porque o singular incorre num cacófato.  
Guilherme - Criação do século XVII, de Bashô, que era uma poeta boêmio, de vida inconstante e cheia de altos e baixos. Fez escola. É poesia essencialmente sintética, de dezessete sílabas, muito popular no Japão. A poesia mais popular, porém, é a "tanka", de trinta e uma sílabas. Existem também o "dodoitsu" e o "jintaishi", este o verso livre nosso. De todas estas formas poéticas, a mais interessante porque mais rigorosa, a que mais disciplina exige, é o haikai; em primeiro lugar por ser uma síntese; tem apenas dezessete silabas; e em segundo lugar, pela sua construção forçada em três versos, um de cinco silabas, outro de sete e um último também de cinco.

Genésio - E o haikai como poesia "do momento"?
Guilherme - Além das limitações de que falei, uma outra torna o haikai dificílimo e, portanto, interessantíssimo: é a de ser uma "poesia de estação" ou "saisonnière". Tem que se limitar a impressões efêmeras, do momento que passa. Pode-se mesmo dizer que somente existem quatro espécies de haikai: de primavera, de verão, de outono e de inverno. 
Genésio - O amor não tem participação nessa poesia?
Guilherme - Absolutamente. O elemento amor não entra nem pode entrar no haikai. Ele se inspira exclusivamente no aspecto da terra em cada uma dessas fases do ano. Esses "motivos" de estação, quer dizer, a razão de ser poética do haikai, chama-se em japonês "kilai" (Nota do Editor: corruptela de "kidai").
Genésio - O conceito de haikai pode ser contido numa definição?
Guilherme - Sim. E a melhor definição, contendo todos os elementos, é dos próprios japoneses: "o haikai é a anotação poética e sincera de um momento de elite". Note bem: anotação breve e poética. E pela sua qualidade de ser poesia espiritual, sincera, não pode deixar de ser feita no momento: no verão não se faz um haikai da primavera. Além do mais, é de um momento de elite. Cita-se como exemplo perfeito de haikai um de Bashô: 

No tanque morto
há o ruído de uma rã
que mergulha".

Esse haikai tem o título de "Solidão" e o titulo no haikai é como o verbete num dicionário: o texto definirá o título.

Genésio - O haikai exige do próprio leitor um alto senso poético, segundo creio. Em caso contrário jamais poderá penetrar a essência dessa poesia. Qual sua opinião?
Guilherme - Exatamente. O haikai citado é um exemplo. Que relação haverá entre uma rã que mergulha num tanque morto com a solidão? Entretanto, acho que não há definição mais perfeita de solidão do que a que se contém nesse haikai. Veja-se mentalmente o desenho: numa água estagnada - tanque morto - a rã que mergulha abrindo em torno dela círculos concêntricos que se prolongam indefinidamente até às margens... Ora, não há nada mais "sozinho" no mundo do que o centro de uma circunferência; porque ele é único. A circunferência só pode ter um centro que só pode estar equidistante de todo o ponto da circunferência. 

Genésio - O mesmo modo, para produzir o haikai há de exigir-se muitas qualidades? 
Guilherme - Não só qualidades como é preciso, naturalmente, para produzir o haikai, uma grande iniciação. Eu a tive aqui em S. Paulo, em 37, quando fui conduzido pelo então cônsul do Japão em S. Paulo e poeta distintíssimo, Kozo Itigé, ao Clube Japonês cuja sede era na rua da Liberdade. Nesse clube realizavam-se verdadeiros "jogos florais". Doze poetas reunidos em torno de uma mesa, na terceira quarta-feira de cada mês, apresentavam cada um o seu haikai sobre um tema sorteado com um mês de antecedência. Esses haikai eram postos em concurso, sendo premiado o melhor. Lembro-me de que nessa reunião em que estive o tema dado anteriormente era este: "Brisa de primavera". Ouvi haikai interessantíssimos apresentados pelos poetas japoneses residentes em S. Paulo: empregados no comércio uns, pequenos lavradores nos arredores da Capital outros, gente humilde mas de uma invejável cultura. Aliás, no Japão, a poesia quase que é obrigatória para todas as classes... As gueixas do Yoshiwara são todas poetisas de valor... Traduzi mesmo várias poesias dessas mulheres, como "Canções de Gueixas", que figuram no meu livro "Acaso". Por exemplo: "Esconderijo". 

"Nada de mágoas, nem queixumes!
    Escondo-me na minha felicidade
    como os vaga-lumes
    que, quando querem se ocultar,
    buscam a claridade
    de um raio de luar..."

Genésio - E a transplantação para o ocidente?
Guilherme - Quem revelou autorizadamente o haikai no ocidente foi Georges Boneau. A forma poética japonesa fez furor. Poetas franceses, ingleses, alemães, norte-americanos, puseram-se a fazer haikai. Mas, sem a rígida disciplina nipônica, mais ou menos ao acaso. Foi diante disso que eu tive a ideia nesse ano de 1937 de tentar uma transplantação rigorosa, submetida à disciplina rígida, do haikai para o português. Descobri que os dois metros - de cinco e de sete silabas - eram familiares aos nossos poetas: o de cinco o metro habitual das cantigas infantis, de roda ou de ninar. Por exemplo: "Tutu Maramoa", e o de sete, o verso essencialmente popular, das trovas ou redondilhas. Note-se que a métrica japonesa corresponde exatamente à nossa, pois é também silábica. O japonês não rima, não conhece a rima. Mas usa e abusa de aliterações e onomatopéias.

Genésio - E quais as regras que estipulou para a sua transplantação?
Guilherme - Na minha fórmula de haikai, entendi de conservar a rima, pois que é uma riqueza embelezadora da nossa poesia; é a "única corda que nós acrescentamos à lira dos gregos, entre os latinos". Não temos o direito de abrir mão dessa conquista e assim construo o haikai da seguinte maneira: um verso de cinco sílabas, outro de sete e um terceiro de cinco. Os de cinco rimando entre si e o de sete com uma rima interna: a segunda sílaba rimando com a sétima.

Outubro

"No fim da alameda
há raios e papagaios
de papel de seda".

(rima: alameda com "seda" e "raios" com "papagaios")

Genésio - Ultimamente li um livro de haikai, em que entra o lirismo. Um livro todo de haikai. O que pensa?
Guilherme - Escrevi o meu primeiro haikai no dia 13 de agosto de 1937 e até hoje, 13 de maio de 1941, só consegui fazer quarenta e três haikai. É pouco, mas é assim... Exuberante poeta nacional, em uma semana, publicou trezentos e cinquenta haikai!!... (ponha assim mesmo, dois pontos de admiração e reticência...). Duvido que essas composições sejam "anotações poéticas e sinceras de momentos de elite"... E por falar em momento de elite, tenho que acreditar nele. É que ele tem que ser aproveitado no instante mesmo a sua sinceridade. Cito um caso que se passou comigo mesmo. Em março de 1938, vi uma quaresmeira, florida, maravilhosa. Era à tardinha, a luz já oblíqua do quase outono faz ajoelhar-se aos pés da árvore a sua sombra. Lembrei-me das imagens de quaresma - vestidas de roxo nas igrejas. O haikai ocorreu-me incontinente. Eu estava num ônibus; ia construindo mentalmente, improvisando, pois que o haikai é sempre improvisado. Foi quando um conhecido, um amigo - antes um inimigo - isto é, o homem que explica, cortou-me o pensamento. Apontou-me a árvore, comentando a sua beleza e dando-lhe o nome técnico, botânico da quaresmeira. Quando cheguei em casa, à noite, quis refazer o haikai. Inútil. Por mais de três horas nesse afã, nada consegui. Saiu um outro haikai, inspirado numa estrelinha que, pela minha janela eu avistava. Estava cochilando e esse movimento de pender e levantar a cabeça, de abrir e fechar os olhos... de "piscar"... "pescar"... 

"Cochilo. Na linha
eu ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha".

O título desse haikai é "Pescaria".

Genésio - Falamos atrás sobre a iniciação necessária ao cultor do haikai. Um exemplo?
Guilherme - Perguntaram-me no Clube, para uma resposta em dez minutos: Por que a Primavera é sono?
Ora, a Primavera é a estação das flores. Tudo desperta alegremente, festivamente... Deveria ser sinônimo de vida ativa; mas de sono...
Mas consegui a resposta: a Primavera é sono porque a flor é o berço onde dorme o fruto!

Genésio - Sendo poesia de estação, o haikai será objetivo?
Guilherme - Justamente. Essa palavra vem a calhar, respondeu o autor de "Acaso". O haikai é eminentemente objetivo, acrescentou Guilherme de Almeida, ao mesmo tempo em que púnhamos um ponto final à presente entrevista. 

ALGUNS HAIKAIS DE
GUILHERME DE ALMEIDA

 AQUELE DIA

Borboleta anil
que um loiro alfinete de oiro
espeta em abril.

HISTÓRIAS DE ALGUMAS VIDAS

Noite. Um silvo no ar.
Ninguém na estação. E o trem
passa sem parar.

O POETA

Caçador de estrelas.
Chorou: seu olhar voltou
com tantas! Vem vê-las!

NÓS DOIS

Chão humilde. Então,
riscou-o a sombra de um vôo.
“Sou céu!” disse o chão.

VELHICE
Uma folha morta.
Um galho do céu grisalho.
Fecho a minha porta.

 OUTUBRO

Cessou o aguaceiro.
Há bolhas novas nas folhas
do velho salgueiro.
-x-x-x-x-x-x-

(*) Essa mesma entrevista foi reproduzida no boletim "Imprensa Paulista", órgão informativo da Associação Paulista de Imprensa, número 41, de julho/dezembro de 1980.

FONTES PESQUISADAS:
- http://www.kakinet.com/caqui/gaen.htm
- Almeida, Guilherme de. Poesia Vária. Ed. Cultrix, São Paulo, sd;
- Barros, Frederico Ozanam P. de Barros. Guilherme de Almeida - Literatura Comentada – Ed. Abril, São Paulo, 1982.

Veja ainda outras matérias sobre Guilherme de Almeida aqui no RETALHOS, clicando nos links abaixo:

http://literalmeida.blogspot.com.br/2009/07/revolucao-constitucionalista-e.html
http://literalmeida.blogspot.com.br/2009/07/guilherme-de-almeida-o-literato.html
http://literalmeida.blogspot.com.br/2009/07/guilherme-de-almeida-e-o-discurso-beira.html

(Luiz de Almeida)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

LUÍS ARANHA: COCTAILS PUBLICADO NA ESPANHA


COCKTAILS DE LUÍS ARANHA:
PUBLICADO NA ESPANHA
Luís Aranha -
Foto Reprodução

Em 2009, na postagem “Luís Aranha: Poeta Modernista Bissexto”, não fazia a mínima ideia do quanto sua obra era respeitada... Fora do Brasil. Aqui, até mesmo na Paulicéia, pouco se lê e pouquíssimo se comenta do Luís Aranha. Deixa a impressão que ele foi apenas um luís ninguém. Uma vergonha.
Após a postagem acima referida:  http://literalmeida.blogspot.com.br/search?q=luis+aranha – recebi várias correspondências dos que descobriram Luís Aranha, outros trocando ideias a respeito da obra e muitos solicitando mais informações sobre o livro Cocktails, organizado por Nelson Ascher, publicado em 1984, Editora Brasiliense. Não poderia ser diferente: minha satisfação foi imensa, deleitante. Foi, para mim, a certeza de que o Retalhos estava cumprindo com seus objetivos.  
Em outubro de 2010, outra agradável surpresa: Cocktails era publicado pela Editora Francesa “La Nerthe”, de Toulon, com tradução e prefácio do meu dileto amigo Antoine Chareyre – que no mesmo período publicou Poèmes Mordernistes & Autres Écrits Anthologie 1921/1932, do modernista Sérgio Milliet – notícias também divulgadas aqui no Retalhos.
E, se no Brasil ainda são poucos aqueles que sabem a respeito da pessoa e pouquíssimos os que leram algum dos poemas do modernista Luís Aranha (não incluo aqui os leitores e seguidores do Retalhos do Modernismo), muitos na França conhecem, e agora, para nossa alegria: a Espanha já está conhecendo e lendo. Recebi do editor francês Antoine Chareyre, a primeira edição bilíngue do Cocktails, publicação da Editora La Isla de Siltolá, Sevilha, 2012, tradução e notas de Marie Christine del Castillo, prefácio de Juan Manuel Bonet. Segundo a tradutora: Luís Aranha, em Cocktails, é o modernista brasileiro “brilhante e divertido”.

Editora La Isla de Siltolá

No site da editora: www.siltola.es – poderemos encontrar a postagem de apresentação da publicação de Cocktails, e num dos links o comentário a respeito dessa edição espanhola. Vale a pena conferir em: http://siltola.blogspot.com.br/2012/07/luis-aranha-en-la-prensa.html - e-mail da Editora La Isla de Siltolá: silola@gmail.com .
Para nós, brasileiros, fica a triste observação: Quase para completar três décadas, a publicação de Cocktails pela Brasiliense – permanece na primeira edição. E mais: É dificílimo encontrar nas livrarias. No prólogo da edição espanhola, Juan Manuel Bonet diz que a edição brasileira do Cocktails foi encontrada por eles num sebo, em São Paulo, ao preço de dez reais. Conclusão: a edição brasileira de Cocktails só é encontrada mesmo nos sebos. Inacreditável o descaso das nossas livrarias para com o Luís Aranha e com o valorosíssimo trabalho do Nelson Ascher. Aí vem alguém e diz: Não encontramos Cocktails mesmo, pois ninguém conhece Luís Aranha. E eu pergunto: Será que isso acontece somente com Luís Aranha e com o Cocktails? Quais seriam os motivos da não publicação das edições “atualizadas” das obras, por exemplo, do Guilherme de Almeida? (Nós, Messidor, Simplicidade, Rosamor, Você, Livro de Horas de Sóror Dolorosa, A Flauta que eu perdi, Encantamento, etc...?). Sem esquecermos que o mesmo fato acontece com algumas obras do Menotti Del Picchia, com todas do René Thiollier, e as de outros e mais outros? Fica aqui esse questionamento do Retalhos.
Voltando ao Cocktails publicado pela editora espanhola, não recebi ainda nenhuma informação se alguma das grandes livrarias daqui estará comercializando essa edição. Equanto isso fica registrada apenas aqui no   Retalhos do Modernismo a maravilhosa publicação bilíngue do Cocktails para os espanhóis.
Concluindo: Cravo todos os louvores à Editora La Isla de Siltolá; nossos elogios ao belíssimo trabalho da tradutora Marie Christine del Castillo e também ao autor do prefácio maravilhoso, Juan Manuel Bonet.

OS AMORES DO VENTO        

Sobre a prata lisa do lago                
Deslizando nos pequeninos pés,         
Vi a figura branca da brisa               
Esconder-se nos juncos da ribeira...  

Vento violento que a procuras,         
Quando passaste por ali                  
Os juncos deitaram-se sobre ela,      
Ocultando-a de ti... 

LOS AMORES DEL VIENTO

Sobre la plata lisa del lago
Deslizándose sobre sus pequeños pies,
Vi la figura blanca de la brisa
Esconderse entre los juncos de la ribera...

Viento violento que la buscas, 
Cuando pasastes por allí
Los juncos se tendieron sobre ella,
Ocultándotela...


    (Poema pp. 168/169 do Cocktails, edição espanhola – bilíngue).

(Luiz de Almeida)